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Tempo de tela das crianças: regras que dá para combinar

Não “quantas horas pode”, e sim como combinar para que a regra funcione sem grito. Frases prontas, o roteiro da conversa e o que fazer quando o “só mais cinco minutos” aparece pela décima vez.

9 min de leituraAtualizado: Por , criador do Nidalumi

Eu falo “desliga”, e ele: “já vou, só mais cinco minutos”. Meia hora depois eu estou gritando, ele bate a porta, e a noite de todo mundo foi para o espaço. No dia seguinte, tudo igual.

A briga pela tela quase nunca é pela tela. É porque a regra só existe na cabeça do adulto e é anunciada quando a criança está no meio do jogo. Para ela, isso não é regra, é um “não pode” repentino. Abaixo, como fazer para que a regra seja conhecida antes, valha para todos e não dependa do seu humor.

Primeiro, três decisões dos adultos

Antes de conversar com a criança, os adultos precisam se entender entre si. Se a mãe tem uma regra e o pai tem outra, a criança escolhe a mais conveniente.

  1. O que conta como tela. Jogo e vídeo, sim. E a lição no tablet? A ligação para a avó? Música? Digam o que entra e o que não entra.
  2. O que não se discute. Duas ou três coisas que os adultos decidem: por exemplo, a que horas a tela acaba à noite e o que não pode ser visto.
  3. O que a criança escolhe sozinha. Em que gastar o tempo dela, em que parte do dia, com quem jogar. Quanto mais escolha de verdade houver aqui, menos briga sobre os limites.

A Academia Americana de Pediatria sugere montar juntos um plano familiar de uso de telas: quando, onde e como elas são usadas em casa.

Como combinar junto com a criança

Escolha um momento calmo, e não a noite em que acabaram de brigar por causa do celular.

  1. Diga o objetivo sem acusar. “Toda noite a gente briga por causa do celular. Eu não gosto, você também não. Vamos inventar regras para não brigar.”
  2. Pergunte primeiro. “Que regras você acha que seriam justas?” Acontece de a criança propor algo mais rígido do que os adultos pretendiam.
  3. Diga o que não se discute. Curto e sem sermão.
  4. Combinem o resto. Quando, onde, o quê e o que acontece se a regra for quebrada: isso vem logo abaixo.
  5. Escrevam. Numa folha, com as palavras da criança, e pendurem em lugar visível. Regra no papel já não é “a mãe que falou”.
  6. Marquem a revisão. “Vamos testar por duas semanas e depois ver o que mudar.” Isso tira a sensação de sentença.

Regras prontas

Pegue as que servem e ajuste horário e lugar. Cinco a sete regras bastam: lista comprida ninguém lembra.

Sobre o quêRegra
Ordem“Primeiro as tarefas da lista, depois a tela. A lista é conhecida desde a manhã”
Quando“Em dia de semana, tela depois da lição e até o jantar. No fim de semana, de manhã e depois do almoço”
Fim do dia“Às ___ a tela acaba. O celular dorme carregando no corredor”
Refeições“Na mesa não tem celular, nem de criança nem de adulto”
Início“Antes de ligar, você diz o que vai ver e por quanto tempo”
Timer“Quem põe o timer é quem assiste. Tocou: termina o episódio ou joga até o ponto de salvar, e acabou”
Aviso“O adulto avisa uma vez, dez minutos antes do fim”
Estudo“Lição na tela não conta como tempo de jogo, mas também não dá para jogar na hora da lição”
Novidades“Jogo ou aplicativo novo, primeiro você mostra para um adulto”
Visitas e viagens“No carro e na casa dos outros as regras são outras, e a gente combina antes de sair”

Duas regras da tabela merecem explicação.

“Nem de criança nem de adulto”. Regra que os próprios adultos não cumprem a criança considera injusta, e com razão. Pelo menos uma regra que vale para todos torna as outras mais convincentes.

“Joga até o ponto de salvar”. Cortar o jogo no meio da fase é, para a criança, o mesmo que desligar o filme um minuto antes do fim. Combinar um ponto de parada claro tira a maior parte dos “só mais um pouquinho”.

O que fazer quando a regra é quebrada

A consequência é dita antes, na mesma conversa, e anotada ao lado das regras. Assim ela não é castigo de cabeça quente, e sim parte do combinado.

Uma boa consequência:

  • tem a ver com a tela, e não com o passeio, o doce ou o aniversário do amigo;
  • é curta: vale para amanhã, e não “um mês sem celular”;
  • é possível: algo que você vai mesmo levar até o fim;
  • vem sem sermão: uma frase, e pronto.

Exemplos:

  • “Não desligou quando o timer tocou: amanhã tem o mesmo tanto a menos de tela.”
  • “Pegou o celular antes das tarefas: a tela de hoje acabou aí.”
  • “O celular apareceu no quarto de noite: na noite seguinte ele fica com os adultos.”

O que dizer na hora: “O timer tocou há dez minutos. Pela nossa regra, amanhã são dez minutos a menos”. E sair. Sem discutir, sem explicar de novo, sem aumentar a aposta.

Se uma regra é quebrada o tempo todo, o mais provável é que esteja mal montada. Leve-a para a revisão: o que atrapalha cumprir e como refazer.

Como ligar a tela às tarefas, sem barganha

A dupla “tarefas → tela” funciona enquanto não vira feira: “e se eu ainda passar o aspirador, você me dá uma hora?” Para isso não acontecer:

  • A lista de tarefas é fixa e conhecida antes. Não é inventada na hora e não cresce quando a criança já se sentou para jogar.
  • “Primeiro… depois”, e não “se… então”. “Primeiro a lição e a mochila, depois a tela” é a ordem do dia. “Se você arrumar, eu deixo jogar” é um negócio, e logo quem põe o preço é a criança.
  • “Feito” quer dizer sempre a mesma coisa. Combinem o que é “arrumei o quarto”: roupa no armário, mesa livre, chão vazio. Senão a briga se muda para cá.
  • O adulto confere uma vez. Olhou, confirmou, a tela está liberada. Sem “tá bom, depois você termina”.
  • Tempo extra, só pela cotação dita antes. Se pelas tarefas além das de costume dá para ganhar mais tela, o preço foi dito antes e não se discute na hora.
  • Tarefa própria não se paga com tela. Escovar os dentes e arrumar a mochila é simplesmente a vida. Como premiar as tarefas extras está na página sobre pontos e prêmios.

Onde isso pode ficar em vez da sua cabeça

O mais cansativo nesse sistema é lembrar: se as tarefas foram feitas, quanto tempo cabe, se já pediu hoje. No Nidalumi, essa parte fica com a lista. A criança tem as tarefas dela com o botão “Feito”, o pai ou a mãe as vê em “Esperando sua conferência” e confirma. As tarefas rendem pontos, e os pontos são trocados por prêmios. O tempo de tela funciona como um pedido: a criança pede, o pai ou a mãe libera; a seção é ativada nas configurações.

Prêmios: pontos pelas tarefas feitas e o prêmio combinado antes
Prêmios: pontos pelas tarefas feitas e o prêmio combinado antes

Combinar ainda vai ser com palavras, em volta da mesa. Mas depois disso não há o que discutir: se está feito ou não, vê-se na tela, e não num bate-boca. Para encaixar a tela na ordem do dia, ajuda a rotina diária da criança na escola.

Como funciona no Nidalumi: Agenda da criança.

Perguntas e respostas

Quantas horas por dia a criança pode?

Não damos um número único: depende da idade, da saúde e do jeito da família. Com a dúvida sobre limites, o melhor é procurar o médico. Seja qual for o número escolhido, ele só funciona se tiver sido combinado antes.

A criança não aceita regra nenhuma. O que fazer?

Comece por uma regra que vale para todos, adultos incluídos: por exemplo, a das refeições sem celular. E dê escolha de verdade onde ela é possível: em que hora do dia, em que gastar. Regra em que há uma decisão da criança é cumprida com mais boa vontade.

As regras são quebradas todo dia. Deu errado?

É sinal de que uma regra específica está mal montada: o fim cai no meio do jogo, há tarefas demais antes da tela ou a consequência não acontece. Revejam só essa regra, sem cancelar as outras.

Posso dar tempo de tela por boas notas?

Quem decide é a família. Se sim, vale dizer as condições antes e separar do tempo de sempre, para que uma semana ruim na escola não vire discussão toda noite.

Com adolescente isso também funciona?

O roteiro é o mesmo, mas com mais espaço para as decisões dele e menos conferência. Para o adolescente, o mais importante é que as regras sejam discutidas com ele, e não anunciadas. Os limites que não se discutem continuam; só são menos.

Fontes

  1. American Academy of Pediatrics — Family Media Plan

Como este guia foi feito: escrito por , criador do Nidalumi. Números e dados sobre saúde e dinheiro foram conferidos nas fontes citadas no guia. Atualizamos quando as recomendações mudam.

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