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Adolescente e tarefas de casa: como chegar a um acordo

Não obrigar, e sim combinar: uma área própria, prazo em vez de “agora” e um lembrete que não vem na sua voz. Abaixo, o roteiro da conversa, a lista de tarefas e as frases.

8 min de leituraAtualizado: Por , criador do Nidalumi

Peço pela quinta vez para ele tirar a mesa. Ele diz “já vou”. Uma hora depois eu estou gritando, ele bate a porta, e a louça continua lá. E eu mesma lavo, com raiva do mundo.

O círculo é conhecido: pedido, “já vou”, lembrete, grito, porta. Nele não há culpados; o esquema é que está mal montado. A tarefa continua sendo sua, e ao adolescente cabe o papel de executar sob comando. Com comandos, nessa idade, quase todo mundo tem dificuldade.

Resposta curta: cinco pontos do acordo

  1. Uma área própria, e não ajuda. Algumas tarefas que pertencem ao adolescente por inteiro.
  2. Prazo “até”, e não “agora”. “Até as oito da noite”, e não “já”.
  3. Está claro o que quer dizer “feito”. Em uma frase, de antemão.
  4. Quem lembra não é a sua voz. Bilhete, despertador, mensagem no celular: qualquer coisa, menos a quinta repetição.
  5. O que acontece se não for feito já se sabe antes. Com calma e sem improviso no meio da briga.

A seguir, como montar cada ponto.

Por que “é só pedir” não funciona

O pedido chega em má hora. “Leva o lixo” aparece no meio do jogo, da conversa com os amigos ou da lição. O “já vou”, aqui, não é recusa, é “não neste segundo”. Só que “já vou” não tem prazo e se estica até a noite.

A tarefa continua sendo sua. Reparar, decidir quando e lembrar: tudo isso segue com você. Ao adolescente sobrou só executar. É difícil sentir como seu um trabalho assim, e para adulto também é.

O lembrete soa como controle. Quanto mais repetido, menos ouvido. Na quinta vez já não é informação, é ruído de fundo.

Não se sabe o que é suficiente. “Arruma o quarto”, para você, é chão e pó; para ele, é tirar a roupa de cima da cadeira. Os dois têm certeza de que estão certos.

Cada um desses motivos se resolve não com rigidez, e sim com organização.

O que dá para entregar por inteiro ao adolescente

Por inteiro quer dizer: ele mesmo acompanha, decide quando, dentro do prazo, e faz. São exemplos, não uma norma: escolham conforme o fôlego e o calendário da escola.

ÁreaO que entraPrazo
A própria roupaJuntar, pôr para lavar, estender, guardar no armárioAté domingo à noite
LixoFicar de olho na lixeira, levar, pôr saco novoAté as 20h, nos dias dele
Louça do jantarLavar ou pôr na máquina, passar um pano na mesaAntes de dormir
PetRação, água, passeio ou caixa de areiaDe manhã e à noite
Um jantar por semanaEscolher o prato, pôr os ingredientes na lista, cozinharNo dia dele
O próprio quartoO mínimo combinado (veja abaixo)Até sábado
Irmão ou irmã menorBuscar na atividade no dia deleConforme os horários

Duas ou três áreas bastam para começar. A relação completa por idade está na lista de tarefas das crianças por idade.

Como conduzir a conversa

Escolha a hora. Não no meio da briga nem diante do prato sujo. Melhor à mesa ou no caminho, quando ninguém está com pressa.

Comece pela lista geral. Mostre tudo o que se faz em casa e quem faz. Não como cobrança, e sim como mapa. Muitas vezes o adolescente realmente não conhece o volume.

Deixe escolher. “Estas são as tarefas que dá para assumir. Quais duas ou três são suas?” O que a pessoa escolhe é feito com mais boa vontade do que o que é imposto.

Digam o prazo e o mínimo. Para cada tarefa, “até que horas” e “o que conta como pronto”.

Combinem o lembrete. Pergunte direto: “Como eu lembro você sem que seja a minha voz?”

Conversem sobre o que acontece se a tarefa não for feita. O que melhor funciona é o que decorre da própria tarefa: não lavou, não tem camiseta limpa; não levou o lixo, leva antes de sentar para jogar. Não um castigo “de cabeça quente”, e sim uma condição conhecida de antemão.

Marquem a revisão. Em duas semanas: o que deu certo, o que mudar.

O quarto do adolescente é um acordo à parte

É o quarto que mais dá briga, porque ele é ao mesmo tempo território do adolescente e parte da casa de todos. O que funciona é separar:

  • O mínimo comum, combinado: comida e louça não se acumulam no quarto, roupa suja vai para o cesto, uma vez por semana o chão.
  • Todo o resto é assunto dele. Roupa na cadeira, a arrumação da mesa, os pôsteres.

O mínimo é conferido no dia combinado, e não quando a porta se abriu.

Pagar ou não pelas tarefas de casa

Cada família decide de um jeito, e os dois caminhos funcionam: o importante é escolher um e não mudar no meio.

  • As tarefas básicas, sem pagamento, porque todos moram nesta casa. Paga-se o extra: lavar o carro, arrumar a área de serviço.
  • Pontos por tudo, trocados depois por um prêmio ou por mesada, numa cotação conhecida de antemão.

Como montar isso sem barganha a cada prato está no artigo sobre mesada.

Se o combinado não funcionou

Passe pela lista antes de voltar ao grito:

  • O prazo foi dito com hora, ou com a palavra “depois”?
  • Os dois entendem o mínimo do mesmo jeito?
  • Houve lembrete, ou a aposta foi na memória?
  • As tarefas não são demais para uma semana de provas?
  • A tarefa não foi feita por ele, “porque assim é mais rápido”?

A última é a mais comum. Tarefa feita no lugar do adolescente deixa de ser dele já na segunda vez.

Quando quem lembra é o celular, e não você

No Nidalumi, o adolescente tem o próprio papel e as próprias tarefas. O lembrete chega a ele, no Telegram ou por notificação no celular, com os botões “Feito” e “Adiar”. O “Adiar” aqui é importante: é o jeito legítimo de dizer “agora não” sem “já vou” e sem discussão. As tarefas em rodízio ficam numa escala: ela passa a tarefa sozinha para o próximo, e dá para trocar.

O dia da família: o adolescente tem as tarefas dele, o prazo e o botão “Feito”
O dia da família: o adolescente tem as tarefas dele, o prazo e o botão “Feito”

À noite chega o balanço do dia: o que foi feito e o que não foi. A pergunta “você fez?” não precisa ser feita: está à vista. E a queixa “a mãe está cobrando de novo” some sozinha: quem lembrou foi o celular, por uma regra com a qual todos concordaram.

Como funciona no Nidalumi: Quadro de recompensas.

Perguntas e respostas

A partir de que idade o adolescente deve ter obrigações fixas?

Pequenas tarefas próprias fazem bem muito antes da adolescência. Aos doze ou treze anos já costumam caber áreas inteiras: a própria roupa, o lixo, a louça do jantar, os cuidados com o pet.

O que fazer se o adolescente concordou, mas não faz?

Não lembrar pela quinta vez nem fazer por ele. Deixar a condição combinada agir e voltar ao assunto na revisão: talvez o prazo seja ruim ou as tarefas sejam demais.

Posso tirar o celular por causa de tarefa não feita?

É decisão da família. A condição funciona melhor quando foi dita antes e tem a ver com a tarefa, e não inventada no meio da briga. “Primeiro o lixo, depois o jogo” é mais claro do que “chega, uma semana sem celular”.

Preciso conferir como foi feito?

Conferir o mínimo combinado, sim, e uma vez, na hora marcada. Tudo acima do mínimo é o jeito dele, e é melhor não comentar.

Tem muita lição. Libero das tarefas?

Em época de provas ou vestibular, dá para reduzir ou adiar as tarefas, por combinado, e não em silêncio. Uma ou duas tarefas fixas em geral vale a pena manter.

Como este guia foi feito: escrito por , criador do Nidalumi. Atualizamos quando as recomendações mudam.

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