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Mesada: quanto, quando e por quê

Não existe valor pronto “por idade”, mas dá para calcular o seu numa noite. Abaixo, três jeitos de dar, a conta feita a partir dos gastos da própria criança e as regras que acabam com o “me dá para o lanche” de todo dia.

9 min de leituraAtualizado: Por , criador do Nidalumi

Na segunda eu dei o dinheiro da semana. Na terça já era “mãe, me dá para o lanche”. Se eu dou, a regra não vale nada. Se não dou, a criança fica com fome. E é assim toda semana.

A mesada não quebra no valor. Quebra porque as regras nunca foram ditas: por que se dá, quando, em que pode gastar e o que acontece se acabar antes da hora. Por isso, primeiro a escolha principal, depois o valor, depois as regras.

Três jeitos: fixa, pelas tarefas ou mista

FixaPelas tarefasMista
Como funcionaO mesmo valor, no mesmo dia. Não depende de nadaDinheiro só pelas tarefas de casa feitasUma parte fixa sempre, mais um extra por tarefas além das de costume
PrósO valor é conhecido de antemão, dá para planejar. Sem barganha nem contasFica clara a ligação “fez, recebeu”. Há um motivo para pegar a tarefaO necessário não depende do humor da semana, e o que é “para mim” dá para ganhar
ContrasNão há ligação com esforço: “vão me dar de qualquer jeito”Todo pedido vira “e quanto você paga?”. Numa semana ruim não sobra nem para o lancheÉ preciso separar uma vez, com clareza, quais tarefas são de costume e quais são pagas
Quando serveO principal objetivo é aprender a lidar com dinheiroO necessário (comida, transporte) é pago pelos adultos, e a mesada é só para os “quero”A ideia é ter planejamento e também um motivo claro para colaborar

Como separar tarefas e dinheiro no jeito misto

Uma divisão que funciona, em três cestos:

  • O que é seu, sem pagamento. Guardar o que usou, arrumar a cama, preparar a mochila. Isso não é trabalho, é morar em casa.
  • O que é de todos, sem pagamento, em rodízio. Louça, lixo, pôr a mesa. Faz quem mora aqui.
  • Além do de costume: pode ser pago. Lavar o carro, arrumar a área de serviço, ficar com o irmão menor enquanto os adultos estão ocupados.

Assim, o “e quanto você paga?” diante do pedido de levar o lixo tem resposta simples: “Isso é de todos. As tarefas pagas são as desta lista”. O que cabe em cada idade está na lista de tarefas por idade.

Como escolher o valor, sem “quanto os outros ganham”

Valor tirado do nada ou não cobre coisa alguma, ou cobre tudo e não ensina nada. É mais fácil calcular a partir do que a criança já gasta.

  1. Anote os gastos dela numa semana comum. Lanche na escola, condução, água depois do treino, coisinhas no mercado do bairro. Não lembra? Passe uma semana anotando cada “me dá para o lanche”.
  2. Decida o que passa para ela. Ao lado de cada linha, “paga sozinha” ou “pagamos nós”. O almoço pode ficar com os adultos, e o lanche e as coisinhas passarem para a criança.
  3. Some o que passou. Essa é a parte obrigatória: sem ela, a criança fica sem a condução.
  4. Acrescente a parte livre. Um valor pequeno a mais, para gastar no que quiser ou guardar. Sem ela não há o que escolher: todo o dinheiro já tem destino.
  5. Teste no seu bolso. Se esse valor toda semana pesa no orçamento de vocês, reduza a lista do passo 2, e não a parte livre.
GastoQuantas vezes por semanaQuem paga
Lanche na escolaa criança
Conduçãoa criança
Almoçoos adultos
Água depois do treinoa criança
Parte livreuma vez—

Dá para copiar a tabela numa folha e preencher junto com a criança: assim o valor deixa de ser “me deram pouco” e vira uma conta que ela acompanhou.

O programa Money as You Grow, do Escritório de Proteção Financeira do Consumidor dos EUA, descreve o que a criança consegue fazer com dinheiro em cada idade — uma boa referência para decidir o que a mesada deve cobrir.

Com que idade começar

Vale olhar menos para o número na certidão de nascimento e mais para três sinais:

  • a criança sabe fazer contas com os valores que vai receber;
  • ela tem onde gastar sem um adulto: a cantina da escola, a padaria no caminho;
  • ela entende que o dinheiro acaba e que o próximo vem num dia certo.

Em geral tudo isso se junta no começo da vida escolar. Daí em diante o que muda não é o princípio, e sim o prazo e o alcance:

FaseFrequênciaO que cobre
Primeiros anos do fundamentaluma vez por semanalanche e coisinhas
Anos finais do fundamentala cada uma ou duas semanasmais a condução e pequenas compras para si
Adolescenteuma vez por mêsmais o celular, o lazer e parte das roupas, conforme o combinado

Quanto mais velha, maior o prazo: planejar uma semana é mais fácil do que um mês.

Regras que vale combinar antes

Dez minutos de conversa antes da primeira entrega poupam meses de discussão. Passem pela lista e anotem as respostas:

  1. Dia de receber. Sempre o mesmo. Não “quando eu lembrar” nem “quando você pedir”.
  2. O que se compra com esse dinheiro. A lista da conta acima.
  3. O que não pode ser comprado de jeito nenhum. Uma lista curta de proibições, dita antes, e não depois da compra.
  4. O que acontece se acabar antes. Até o dia de receber não há complemento; o necessário (lanche levado de casa) há.
  5. Dá para pegar adiantado? Se sim, quanto e como se devolve.
  6. Perdeu ou emprestou para um amigo. Quem cobre.
  7. Dinheiro da avó e de aniversário. É todo dela, ou uma parte vai para um objetivo comum.
  8. A mesada depende de notas e comportamento? Decidam uma vez. Se o dinheiro pode sumir a qualquer momento, é impossível planejar.
  9. Quando revemos o valor. Por exemplo, no começo do ano letivo e quando a lista de gastos mudar.

Erros comuns

  • Dar quando der. Sem dia certo não há planejamento, só “pede mais”.
  • Completar por fora. Cada complemento “pela última vez” avisa que o valor não quer dizer nada.
  • Examinar cada compra. Um gasto bobo com o próprio dinheiro é a aula mais barata. Proibições em lista e antes; o resto é assunto dela.
  • Pagar por tudo. Pelos dentes escovados e pela cama arrumada. Depois nada mais é feito de graça.
  • Mudar as regras no meio do caminho. Tirar na raiva, devolver no dia seguinte. Regra que depende do humor do adulto não é regra.
  • Guardar tudo de cabeça. Quem ganhou quanto, o que já foi entregue, o que foi prometido: uma semana depois só uma pessoa lembra, e é com ela que se discute.

Onde anotar tudo isso

O último erro é o mais comum: a conta de “quem fez o quê e quanto tem a receber” cai sobre um adulto só. No Nidalumi, quem faz essa conta é a própria lista de tarefas. A criança vê a tarefa dela e o botão “Feito”, o pai ou a mãe confere, e o que foi feito rende pontos. Os pontos a criança troca por prêmios ou por mesada, na cotação definida pelos pais. Há o cofrinho para um objetivo: dá para ver quanto já foi juntado.

Prêmios: pontos pelas tarefas, a cotação “quanto vale um ponto” e o cofrinho da criança
Prêmios: pontos pelas tarefas, a cotação “quanto vale um ponto” e o cofrinho da criança

Para o jeito misto isso é prático: a parte fixa é entregue como combinado, e o extra se calcula sozinho, pelas tarefas marcadas, sem caderninho e sem discussão sobre o que aconteceu na semana passada. Como funcionam os pontos e prêmios está numa página à parte.

Perguntas e respostas

Mas, afinal, quanto dar?

O que sair da conta: os gastos que passam para a criança mais uma pequena parte livre. Não há valor pronto por idade: depende do que exatamente ela paga e do orçamento da família.

Devo pagar pelas tarefas de casa?

É escolha da família. Se for pagar, vale separar as tarefas em próprias, de todos e extras, e pagar só pelas extras. Assim a colaboração de sempre não vira barganha.

A criança gastou tudo no primeiro dia. Dou mais?

Se o combinado é que não há complemento, não dê, mas também não deixe faltar o necessário: o lanche pode ir de casa. Uma ou duas semanas assim explicam planejamento melhor do que qualquer conversa.

Preciso conferir em que o dinheiro foi gasto?

Basta uma lista curta de proibições, dita antes. Prestação de contas de cada compra transforma o dinheiro dela em dinheiro seu, entregue sob vigilância.

Dar em dinheiro vivo ou transferir para uma conta?

Como for melhor para a família. Para os menores, dinheiro vivo é mais claro: dá para ver, e dá para ver acabando. As regras são as mesmas de qualquer jeito.

Fontes

  1. Consumer Financial Protection Bureau — Money as You Grow

Como este guia foi feito: escrito por , criador do Nidalumi. Números e dados sobre saúde e dinheiro foram conferidos nas fontes citadas no guia. Atualizamos quando as recomendações mudam.

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