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Remédios dos pais idosos: como acompanhar à distância sem ofender com cobrança

Se você liga, a pessoa se ofende porque está sendo vigiada. Se não liga, passa o dia pensando nisso. Tem saída: fazer com que o lembrete não venha de você nem por ligação. Abaixo, como montar isso numa única visita.

8 min de leituraAtualizado: Por , criador do Nidalumi

Os remédios da minha mãe têm hora certa. Eu moro a cem quilômetros e mesmo assim fico pensando: tomou ou não tomou? Se eu ligo, ela se ofende porque estou vigiando. Se não ligo, passo o dia com isso na cabeça.

A resposta curta são quatro coisas:

  1. Uma lista só de remédios e horários, conforme o médico, no papel.
  2. Um lugar só e um porta-comprimidos montado para a semana.
  3. Lembrete para a própria pessoa, no celular dela, e não a sua ligação.
  4. A marcação “tomei”, que você vê sem perguntar.

1. Uma lista só, conforme o médico

As receitas costumam morar em três lugares: no resumo da consulta, nas caixas e na memória. Junte tudo numa tabela e peça ao médico, na consulta, para conferir.

RemédioQuandoComo tomarQuem receitouQuando acaba
nome da embalagemmanhã, 8hcomo o médico orientou: antes de comer, depois, com águaclínico geral20 de outubro
nome da embalagemmanhã e noite, 8h e 20hcomo o médico orientoucardiologista5 de novembro
nome da embalagemantes de dormir, 22hcomo o médico orientouclínico geralhora de comprar

Perguntas que vale fazer ao médico, anotando as respostas na própria lista:

  • O que fazer se um horário for perdido?
  • Até que dia tomar cada remédio?
  • Esses comprimidos podem ser separados no porta-comprimidos com antecedência?
  • Se médicos diferentes receitaram coisas diferentes, tudo combina entre si?

Uma via fica com a pessoa, em lugar visível; a foto fica com você. Depois de cada consulta a lista é reescrita, e a antiga vai para o lixo. Duas listas é pior do que nenhuma.

2. Um lugar só e um porta-comprimidos

A confusão começa quando há caixa na cozinha, no quarto e “tinha mais uma cartela em algum lugar”.

  • Porta-comprimidos semanal com divisórias por período do dia. É montado uma vez por semana, sempre no mesmo dia. Antes, confirme com o médico ou na farmácia se esses remédios podem sair da embalagem com antecedência.
  • Quem monta: decidam juntos. O melhor é a própria pessoa. Se for difícil, você na sua visita, um vizinho ou a cuidadora.
  • O lugar acompanha o hábito: ao lado da garrafa de café, na mesa da cozinha, perto da cama. Onde a pessoa já está na hora certa. Não dentro do armário.
  • As outras embalagens ficam numa caixa só. Separadas dos remédios antigos guardados “para uma emergência”: é com eles que mais se confunde.
  • Reposição. A lista tem a coluna “quando acaba”: vale comprar uma semana antes dessa data. E decidam logo quem compra.

3. Lembrete para a própria pessoa

A ligação “você tomou?” não é ruim porque você se preocupa. É ruim porque transforma um adulto em alguém vigiado. Já o lembrete no próprio celular é como um despertador: é dele, não seu.

O que serve depende do aparelho:

  • Tem smartphone: o lembrete chega nele na hora certa, com o nome do remédio.
  • Celular simples, de teclas: alarmes diários para cada horário.
  • Não usa celular: o porta-comprimidos ao lado de algo que já acontece todo dia (o café da manhã, o jornal da noite) e uma folha da semana para fazer um tique.

É melhor amarrar o horário aos momentos do dia do que aos números do relógio: “depois do café” se grava mais fácil do que “às 8h30”. Mas só dentro dos limites que o médico autorizou.

A Organização Mundial da Saúde estima que, nos países desenvolvidos, só cerca de metade das pessoas com doenças crônicas toma os remédios como foi prescrito.

4. Como ver que foi tomado, sem ligar

Você não precisa conversar sobre comprimidos, precisa saber que está tudo bem. São coisas diferentes, e a segunda se resolve sem ligação.

  • Marcação no celular. A pessoa toca em “Feito” no lembrete, e você vê aí do seu lado.
  • Folha com tiques, se não há celular. Quem vê é quem passa por lá: um vizinho, a cuidadora, você na sua visita.
  • A regra do “depois de tal hora”. Combinem antes: “Se até as dez da manhã não tiver marcação, eu ligo. Não para conferir, e sim para saber se está tudo bem”. Assim a ligação não é desconfiança, é o combinado de vocês.

E deixe as ligações de sempre para conversar. Quando o “você tomou?” some do primeiro minuto, a conversa fica mais leve para os dois.

Como falar sem ofender

A pessoa idosa ouve outra coisa no cuidado com os remédios: “você já não dá conta”. Por isso importa menos o que você propõe e mais o jeito.

Soa como controleSoa como pedido
“Esqueceu o remédio de novo?”“Eu fico sem sossego aqui de longe. Me ajuda a não ficar ligando toda hora”
“Vou conferir o que você toma”“Vamos deixar o celular lembrar você, e eu só vejo que está tudo bem”
“Não dá para confiar isso a vocꔓComo fica melhor para você: que horas, onde guardar, quem monta?”

O que ajuda:

  • Peça por você. “Assim eu fico em paz” é verdade, e é difícil se ofender com isso.
  • Quem decide é a pessoa. O horário dentro do que foi receitado, o lugar, o tipo de lembrete: a escolha é dela. Você sugere, não impõe.
  • Não na frente dos outros. Não fale dos remédios diante dos netos e das visitas.
  • Tem marcação? Não pergunte de novo. Senão ela não substituiu nada.
  • Esquecimento é motivo para ajustar o arranjo, e não para dar bronca: horário ruim, lugar errado, toque baixo demais. O que fazer com a dose perdida em si está na lista, conforme o médico.

Se vocês, filhos adultos, são vários, combinem de quem é essa tarefa por inteiro: lista, farmácia, lembretes. Quando “todo mundo acompanha um pouco”, ninguém acompanha. Sobre entregar a tarefa, e não um pedido, leia o artigo sobre carga mental.

Como funciona no Nidalumi

No Nidalumi, o remédio é cadastrado com o horário que o médico receitou. O lembrete chega à própria pessoa: no Telegram ou por notificação no celular. Ela marca “Feito”, e você não precisa perguntar: na aba “Remédios” dá para ver quantas doses de hoje foram marcadas e quantos comprimidos restam — portanto, também quando é hora de ir à farmácia.

Remédios: de quem, a que horas, quantas doses já foram hoje e quanto ainda tem
Remédios: de quem, a que horas, quantas doses já foram hoje e quanto ainda tem

Mais detalhes na página de lembrete de remédios.

Perguntas e respostas

O que fazer se a pessoa não tem smartphone?

Funciona sem ele: porta-comprimidos semanal em lugar visível, alarmes diários no celular de teclas e uma folha com tiques. Nesse caso quem vê a marcação é quem visita: combinem antes quem vai ser.

A pessoa diz “eu lembro de tudo” e recusa. E agora?

Não discuta se lembra ou não. Peça por você: “Eu fico em paz quando vejo a marcação, faz isso por mim”. E deixe com ela todas as decisões: horário, lugar, jeito.

Um horário foi perdido. O que fazer?

Isso só o médico decide. O melhor é perguntar antes, na consulta, e anotar a resposta na lista, ao lado do remédio, para não ficar na dúvida na hora.

Dá para cuidar dos remédios da pessoa se ela não quer tocar em nada?

Dá para criar lembretes para você: montar o porta-comprimidos e comprar a reposição a tempo. Mas aí não haverá a marcação “tomei”, e a tranquilidade vem só pela metade.

Precisa de Telegram para os lembretes?

Não. O lembrete pode chegar por notificação no celular, pelo aplicativo que se instala pelo site.

Este guia ajuda a organizar lembretes; não substitui a orientação de um médico ou farmacêutico.

Fontes

  1. World Health Organization. Adherence to Long-Term Therapies: Evidence for Action, 2003

Como este guia foi feito: escrito por , criador do Nidalumi. Números e dados sobre saúde e dinheiro foram conferidos nas fontes citadas no guia. Atualizamos quando as recomendações mudam.

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